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domingo, 14 de agosto de 2022

19 PONTOS com o meu colega

 

Resumão geral até agora desde o início até os dias de hoje




Publico os 25 PONTOS (até o momento) DISCUTIDOS COM O MEU QUERIDO E INQUIETANTE VIZINHO. A gravura é em sua homenagem.




1) Internacionalidade. Comunismo não é administração nacional de um país determinado muito pior ainda se for "país feio, triste e acinzentado". Então pela milésima vez: Cuba, CN, Angola, URSS e etc não são comunistas e sim capitalistas. Comunismo só pode existir enquanto fenômeno mundial e inter-nacional. Com a conquista mundial do comunismo cada país seria, aí sim, livre de mercado e de estado, pra dispor sobre seu próprio futuro.



2) Estratégia revolucionária. O país que hoje são líderes do mundo tanto econômica, tecnológica quanto militarmente são os EUA. A revolução que estourar em qualquer lugar do globo deve atingir necessariamente os Estados Unidos e, com o mal cortado pela raiz, o resto do mundo estaria livre. Os Estados Unidos são o país mais inter-nacional que existe, é a parte que mais concentra quantidades do todo, os EUA e seus recursos produtivos (que atualmente são destrutivos) são a mediação pra conquista do mundo.



3) Forças produtivas. Comunismo não é distribuição de penúrias, tristeza, cabanas, cajados, vida bucólica e simplicidade franciscana. Nada disso. Comunismo é o usufruto geral e irrestrito do desenvolvimento das forças produtivas, é a completa automatização do trabalho, IA, impressoras 3D e as melhores e mais avançadas tecnologias postas agora a serviço do progresso e da humanidade.



4) Abolição da propriedade privada. O gozo só poder ser geral, irrestrito se a propriedade dos meios de produção e toda tecnologia existente for social e internacional e não privada ou nacional



5) Abolição das classes sociais e do estado. Tomar o poder político de estado é um meio e não objetivo dos comunistas, aliás o demiurgo da ação não é o líder e sim a classe trabalhadora. O stalinista confunde chegar no poder com se manter nele, ou seja, pensa o comunismo como uma ação despótica simplesmente daqueles que mandam sobre aqueles que obedecem. A condição da dissolução da classe trabalhadora é ela chegar no poder e daí todas as outras classes sociais, que dependem dela, se dissolveriam. Se o comunismo existe hoje, é uma força minoritária que não decide e não influi em nada. Eu sou militante do movimento e hoje nós estamos descredenciados pra influenciar a classe trabalhadora enquanto em outras épocas éramos uma força importante em vários países (Itália, França, Alemanha, Brasil e etc).



6) Psicologia. Quanto mais produtos e meios de produção, quanto mais a tecnologia estiver disponível para todas e todos (homens e mulheres) menos esses produtos, meios e a tecnologia valem. Da mesma forma com o poder político na fase de transição: se o poder político é da classe e não do ditadorzinho e não existe a lógica do mando/obediência por que haveria alguém que se lambuzasse com o poder? Duplo caráter do trabalho: quanto mais temos (base material), menos somos (psicologia). Veja que eu coloquei as mulheres no sujeito e não no objeto.



7) Eternidade. Nada é eterno, nem classes sociais, nem estado, nem inveja, nem família. E caso se essas coisas supostamente sempre existiram de que forma isto seria argumento pra afirmar que sempre existirão?



8) País feio e país bonito. País feio ou triste, segundo colocado, é o mesmo que país pobre, subdesenvolvido, semifeudal, escravocrata, retrógrado, atrasado, dominado. País rico ou feliz é o mesmo que país avançado, abundante, própero, com alto desenvolvimento, dominante. *De acordo a divisão internacional do trabalho, os primeiros são o capitalismo periférico e os segundos são o capitalismo do centro*. Os primeiros entram com a pele e os segundos com a chibata. Falar essa estética do feio/bonito pode se traduzir facilmente na perspectiva econômica de um capitalismo desigualmente integrado.



9) Profissões. Se a propriedade privada dos meios e produtos é abolida no comunismo por que haveria profissões específicas que as pessoas desempenhassem oito ou mais horas por dia em troca de um mísero salário? As pessoas seriam livres pra desempenhar atividades que gostassem e não estariam escravizadas pela necessidade de sobreviver. No comunismo se une o útil ao agradável. *Se certas profissões são atividades herdeiras da época da escravidão e do colonialismo por que teriam que existir no comunismo?* A questão das profissões se enreda bastante com o item da abolição da propriedade privada. Se a propriedade privada é abolida por que haveria dos homens serem felizes nas suas profissões se a profissão é a máquina quem desempenha? Máquinas felizes está totalmente fora de questão.



10) Mulheres. O comunismo seria a comunidade das mulheres, seria diferente da sociedade de classes patriarcal onde as mulheres não passam de objetos a serviço dos homens. No comunismo não há casamento pois o casamento é a escravização da mulher pelo homem. *Voce quer uma mulher? Pergunta pra ela se ela te quer*. O problema dos homens que não conseguem se relacionar com mulheres seria completamente resolvido no comunismo: os homens, com o tempo livre que está disponível, poderiam melhorar vários aspectos de sua personalidade, desde o corpo até a mente. A tecnologia disponível também poderia ajudar.



11) Os erros do comunismo. O ser humano é falível, ser e vida humana significa cometer erros pois não somos guiados por princípios morais e apenas vivemos realmente nossas vidas dada certa contigência histórico-produtiva e circunstancial, aceitando todos os riscos e perigos. A própria vida biológica é uma resistencia teimosa à morte. Me parece que o problema não pode ser posto no viés moral, pois *viver é errar, viver é perigoso e arriscado* e aceitando essa premissa que ser humano é o erro em si significa afirmar também que, pela sua atividade real, pode ser a solução deste erro. A verdade e seus dois lados. Portanto aceite que todo dia vai ter decepção e um Muro de Berlim a cair na sua cabeça.



12) Budismo. Quanto mais os budistas se veem seus participantes envolvidos em crimes e falcatruas tanto mais árdua é a luta budista por um mundo melhor. Pois só com muito empenho e sem recuo é que se pode enfrentar os problemas e as pessoas. *Se as coisas já estivessem certinhas, se a vida já estivesse pronta qual seria afinal a razão e o interesse de viver?* Então: primeiro que viver é perigoso, segundo que ninguém foi feito pra um entender o outro e terceiro que nós estamos sozinhos na porra do universo, não existe deus, mamãe ou papai. Então nós devemos tomar a atitude adulta de plantar as causas pra colher os efeitos, nós por nós mesmos e para nós mesmos. O fato de estarmos sozinhos até de nós mesmos deve criar não a depressão e a desistência mais a coragem de enfrentar a vida a ser vivida. O budismo apresenta semelhanças nos objetivos (revolução espiritual) com o comunismo (material e espiritual) mas agora o método é totalmente diferente. Quanto aos meios, o budismo é uma comunidade religiosa que precisa servir como chamariz para mais e mais famílias enquanto o comunismo se baseia muito mais numa *greve geral insurrecional como meio chamariz*. O budismo se assemelha ao socialismo utópico de comunidades alternativas que Marx critica. Várias características de ser casa, terreno, reunião e congregação que se atribuem ao comunismo na verdade são muito mais características próprias do budismo.



13) Dogmatismo comunista. Eu acho que o dogmatismo é com a razão que é um modo de pensar que se desenvolveu com os gregos. A originalidade do pensamento de Marx foi construída tendo como base crítica um monte de pensamentos filosóficos e econômicos. *Nós somos feitos uns dos outros, então ninguém é demais a ponto de caminhar sozinho e isolado*. Eu por exemplo sou budista. E outra coisa que eu faço é reproduzir a alienação e o estranhamento reinantes uma vez que eu mesmo, por melhor, por mais crítico e por mais humanista que seja, ainda sim preciso lutar pela sobrevivência em detrimento dos outros: a vaga da universidade que foi minha e não do outro, o posto de emprego que foi meu. Percebe? Posso eu ser 100% comunista mesmo que eu queira? Não é a vontade e a escolha pessoal que manda. Eu posso até aprovar a reforma do capital mas você acha mesmo que o capital vai se reformar se não houver uma ameaça vermelha? *Eu posso me enganar e ser flexível com as pessoas o quanto for mas isto seria bom pra quem?*



14) Feminismo e questão LGBTQI+. Assim como o budismo com sua revolução humana espiritual, o comunismo compreende as pautas das mulheres em toda sua magnitude inclusive o aborto e os direitos reprodutivos. Compreende também toda a liberdade sexual de casamento de pessoas do mesmo sexo e todas as liberdades próprias da sexualidade padrão, podem adotar crianças como fazem os demais casais. *O comunismo compreende as lutas de diversos movimentos específicos: budistas, feministas, antirracistas, dos camaradas LGBTQI+, das pessoas com deficiência, etc*.



15) Sobre meu irmão. Aqui é um caso de família que eu não queria entrar pois não quero causar inimizade com ninguém caso nosso fraterno e produtivo diálogo escape e chegue nos ouvidos dele. Queria conversar isto pessoalmente. Mas devo alertar por aqui mesmo: ele recebeu um presente de uma pessoa, uma espécie de herança, *as heranças não são o pagamento do trabalho próprio mas sim do trabalho alheio*. E também ele teve uma perda que lhe afetou muito mas queria falar apenas pessoalmente, ele *perdeu o dinheiro alheio*. Compreensivelmente as pessoas de fora da família não conhecem esse lado. Portanto *não existe esse conto de fadas de você e seu dinheiro, você trabalha e ganha pelo trabalho* e é simples assim, as relações são muito mais complexas do que parecem, existe muita corrupção, desonestidade, patifaria, inveja, roubo nas medidas e pesos, truques, assassinatos e sumiços, heranças, espólio, fura filas, vantagens e privilégios individuais. Se você tem que vigiar a panela no fogo como podes sair pra vender e comercializar produtos? A realidade é uma força da gravidade que te impede por todos os lados. Como diz o cristão, "só deus na causa". E como eu falei, os armários das pessoas estão cheios de esqueletos.



16) Aborto na perspectiva de Marx. O que faria Marx se tivesse chegado a conhecer o movimento especificamente feminista: voto, divórcio, aborto, etc? Voce se acha capaz de disputar e debater comigo o legado marxiano? Pois bem, eu também acho que consiga. Problema é que Marx morreu, pois se não, teria dado todas as respostas que precisamos. Como as pessoas têm o péssimo hábito de morrer então temos que subir nos ombros desses gigantes e continuar seu trabalho com rigor (e aqui você pode me acusar de paixão). É sábido que Marx denunciava a calamidade das mulheres operárias fabris, elas davam à luz no pé da máquina. Marx nao é, até onde eu sei, um humanista que defenda a bondade abstrata com a vida em geral, mesmo sendo vida humana. Posso arriscar que ele diria que *enquanto a maternidade for um calvário para a grande maioria das mulheres trabalhadoras, as mulheres poderão abdicar dos seus filhos nascidos ou não*. Como não é possível extrair o ser que depende biologicamente da mãe sem que extraia a vida deste ser, cabe à mulher a decisão de interromper ou não sua gravidez. Marx iria anotar criticando a bondade eventual do filisteu cristão: primeiro que há o caso de abortos espontâneos; segundo que que mulheres morrem por gravidez de risco e por procedimentos de abortos mal feitos; terceiro pelos estupros; quarto pelo total abandono pelo lado do homem que deixa a mulher à sua própria sorte.



17) Por onde começar. Uma casa, um terreno, uma área. Vamos começar então? Vamos não. Só que não começa assim, começar assim já é encaminhar por erros, a construção de uma nova sociedade, de um novo homem (e mulher) requer uma *visão ampla e não comunitária da produção*. A proposta de construir um casa comunista revela uma limitação da própria proposta: a sua impossibilidade e inevitável derrota. O próprio Marx criticou as experiências de socialismo utópico, de construir uma Nova Jerusalém, casas de apoio e etc. Começar por uma casa é não começar ou é começar pelo erro. Boa sorte. Um bom começo seria uma greve geral.



18) O que é, o que é (Parte 1). Dedico o 18 a responder o que é capitalismo, como surgiu, quem são os capitalistas, como se (des)organiza, pensa e age. O capitalismo é uma relação social, isto é, um modo de produzir, é *como se produz*. O capitalismo começou até onde eu sei por um *complexo processo* desde os mercadores, passando pelos mestres de oficinas, pelos cercamentos, pela colonização, pela escravidão, pelas Grandes Navegações, pelo roubo nos pesos e medidas, pela usura, pela acumulação primitiva de capital. Só que eles não eram uma comunidade, eles na verdade eram concorrentes mercantis que nem se conheciam e buscavam o mais rápido possível vender suas mercadorias e obter dinheiro, ou seja, *o que pautava sua atividade não era a comunidade dos homens e mulheres e sim sua própria individualidade*. Sua emergência aconteceu dentro de um certo contexto histórico internacional de desenvolvimento produtivo, industrial e comercial. Através dos tempos certas famílias e indivíduos se sobressaíram como proprietárias *só que elas só conseguiram ser mobilizando todas as pessoas para seus objetivos particulares*, ou seja, todas as pessoas não apenas compram seus produtos como trabalham pra eles e pensam como eles, então podemos dizer que, de certa forma, até os operários são capitalistas. *Os trabalhadores que são desprovidos de propriedades têm consciência de proprietários*. 



19) O que é, o que é (Parte 2). Dedico o 19 ao comunismo. Vamos lá, vamos fazer uma lista de compras. Primeiramente dizer o que *não é* comunismo: uma casa, uma Cuba, uma CN, uma Venezuela, uma Angola, uma família singular, um líder, um terreno, um indivíduo, um país, uma fábrica, um Fidel, uma invasão, uma certa vivência chamariz, um Lenin, um certo experimento chamariz, uma comunidade chamariz, um Che, uma congregação budista, uma reunião, um acampamento, um alojamento, um Marx, uma força pequena do exemplo, uma iniciativa grupal, um grupo whatsapp. Segundamente dizer o que *é* comunismo: um sistema global, uma sociedade internacional, um modo de viver, produzir e existir, uma forma social, uma sociedade mundial, uma crítica ao capital, um movimento real, uma transição socialista, uma revolução social e política, é como se produz, uma liberdade social, uma produção e reprodução consciente e organizada da vida social. A coisa assim como no item anterior só pode ser pensada no plural dos sujeitos.



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